Sindilojas RioTelefone
   
 
Novidades
Busque no site
 
 
CapaSindilojas RioCentral do AssociadoServiçosConvêniosInformaçõesRevistaImprensaContato
Capa
 
Informações      
Mural
Notícias
Perguntas Frequentes
Downloads
Links Úteis
 
06/08/2020
Castigo além da pandemia
 
 
*Aldo Gonçalves

Micros, pequenos e médios empresários se acham na linha de frente das grandes vítimas da Covid-19, do ponto de vista da economia. Assim como as pessoas contaminadas pelo vírus - algo que muito lamentamos - as pequenas empresas estão morrendo em massa. Por isso, o socorro do Governo Federal chega não como um amparo essencial à sobrevivência que todos esperavam, mas como enorme decepção. Estamos falando do critério escolhido pelo Banco Central ao liberar os R$120 bilhões do Programa de Capital de Giro para Preservação de Empresas - Pronampe, através dos bancos comerciais sem as garantias do governo.

O comércio e os serviços tinham a esperança de que tais créditos fossem disponibilizados diretamente para as empresas, ou seja, sem a interveniência de agentes financeiros que, a seu critério, podem cobrar as taxas de juros que lhes convier.

No último dia 12, em conjunto com mais doze entidades representativas do comércio e dos serviços, enviamos minuciosa correspondência à Casa Civil, pedindo que, entre as medidas adotadas pelo Governo Federal para o enfrentamento da pandemia, fosse disponibilizada uma linha de crédito do BNDES diretamente para as micros, pequenas e médias empresas. Tudo que o combalido setor esperava era que este socorro de emergência chegasse isento da interveniência de agentes financeiros. Não é o que o Governo acaba de anunciar por meio do Banco Central.

Na exposição de motivos enviada à Casa Civil, demonstramos o tremendo impacto que se abateu sobre os lojistas diante de tantas e tão severas limitações impostas pela pandemia. Destacamos a forte redução no consumo, seja pela não circulação das pessoas, seja pela queda generalizada do poder aquisitivo, e todos os fatores que tão dramaticamente afetaram não só a saúde financeira, como a própria sobrevivência do comércio.

Destacamos, também, as dificuldades que as micros, pequenas e médias empresas vêm sofrendo para a obtenção da linha de crédito do Governo Federal (BNDES e outros órgãos governamentais). Explicamos que os agentes financeiros intermediários (bancos), têm colocado sucessivos obstáculos na liberação do crédito. É uma torrente de exigências, condições de garantia, seguros, redução do valor do crédito, imposições burocráticas e, principalmente, a negativa para empresas eventualmente marcadas com restrições de crédito.

A verdade é que a imensa maioria dos empreendedores do comércio de bens e serviços não está conseguindo receber qualquer aporte financeiro originário dos programas de auxílio do Governo. Inúmeras empresas, entre lojas, bares e restaurantes, ficaram sem condições de reabrir. Outras irão fechar definitivamente as portas se não conseguirem alguma ajuda do Governo Federal. Isto obviamente ocasionará ainda mais desemprego e ampliará as probabilidades de agravamento dos problemas sociais.

É de conhecimento de todos que a crise econômica no Estado brasileiro é anterior à pandemia. Revela-se no elevado índice de desemprego, assim como na desordem urbana, na violência resiliente, na proliferação de camelôs, nas sequelas da corrupção desenfreada de governos anteriores.

Por tudo isso, o maior gerador de empregos do Brasil – o agonizante setor de comércio e serviços – esperava bem mais do Poder Público. Mas, ao anunciar a liberação dos recursos do pomposo Programa de Capital de Giro para Preservação de Empresas por meio dos bancos comerciais - sem as garantias do Governo e com as taxas de juros fixadas pelos bancos (!)– o Banco Central atinge com um castigo a mais o setor de comércio e serviços que, ao lado da população brasileira, enfrenta a maior crise da nossa História.

*Presidente do CDLRIo, do SindilojasRio e Diretor da CNC.

Publicado no jornal O Globo on-line em 6 de agosto de 2020.
 
 
Voltar
 
Contribuições
Obrigações do Mês
Associe-se
Convênios
 
Revista
 
 
 
         
 
   
Sindilojas Rio
Telefone

Rua da Quitanda, 3 - 10º, 11º e 12º andares
Centro Rio de Janeiro RJ
CEP 20011-030